A Iha de Fernando Lee

Muito antes de falarem em apagão, o engenheiro paulista Fernando Lee já aplicava técnicas alternativas de produção de energia para abastecer o paraíso particular que construiu em sua ilha, em frente à praia de Pernambuco, Guarujá. Fernando conseguiu a concessão da Marinha para explorar a ilha dos Arvoredos em 1950 e logo começou a montar um sofisticado e eficiente sistema de captação de águas pluviais, que hoje proporciona à ilha autonomia nessa área, com reservatórios que totalizam dois milhões e meio de litros de água potável.

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Para aquecer a água dos banhos, Fernando trouxe as primeiras placas de captação de energia solar do País e, para conseguir autossuficiência na produção de energia elétrica, o engenheiro trouxe dos Estados Unidos um “moinho” capaz de transformar a energia dos ventos em eletricidade, que era armazenada em enormes baterias. Para aumentar a quantidade de terras cultiváveis na ilha, Lee desenvolveu pesquisas com a Neumarica, uma planta de raízes profundas que permite evitar a erosão. Graças a essas pesquisas, o engenheiro ganhou diversos prêmios internacionais, como o Grande Prêmio Rolex. Fernando plantou em seu paraíso particular várias espécies de coqueiros, dezenas de árvores frutíferas e povoou a ilha com centenas de aves raras de todo o Brasil. No porto de Santos, Fernando adquiriu um “clipper”, grande veleiro de quatro mastros, todo feito em pinho de Riga, utilizando depois sua madeira para construir as casas e móveis da ilha, além de uma enorme mesa para degustação de vinhos na “adega do Phoenix”, feita numa caverna escavada nas pedras situadas a Sul da ilha dos Arvoredos.

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Como não havia local para construir um porto para embarque e desembarque na ilha, Fernando fez um guindaste, apoiado sobre um gigantesco pássaro Fênix de concreto, com capacidade para erguer passageiros e pequenas embarcações. Lee era fascinado por energia e cuidava de manter sua propriedade sob iluminação feérica, gerada por seus próprios meios. Certa vez, fez uma campanha entre as crianças do Guarujá para conseguir milhares de vagalumes, os quais soltou na ilha causando um belíssimo efeito visual. Muitos cientistas de renome internacional visitaram a paradisíaca ilha dos Arvoredos, batizada carinhosamente de “Shangri-Lee” pela esposa do engenheiro, Dona Maria Rezende de Lee.
Transformada em Fundação pouco antes da morte de Lee, a ilha dos Arvoredos deveria ter virado um centro de estudos em benefício da humanidade, conforme reza seu estatuto de criação, mas não, está sob administração da Unaerp. É uma pena.

 

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