Cidades da Baixada Santista irão investir em roteiro turístico náutico

Plano dos secretários da área é garantir segurança e estrutura para atrair turistas e receita

Incentivar atividades náuticas e ainda garantir recursos financeiros aos municípios da Baixada Santista são os objetivos de secretários de turismo da região. Eles planejam a criação de um roteiro metropolitano que reúne atrativos para os apaixonados pelo mar. Mas, para isso, são necessárias ações para garantir itens indispensáveis, como segurança e infraestrutura aos visitantes e às suas embarcações.

Na região, o potencial turístico vai muito além das belas praias. Nos últimos anos, o mercado náutico passou a ganhar espaço no calendário de eventos de cidades como Guarujá, que já realiza feiras especializadas e tem uma grande quantidade de marinas e serviços para embarcações.

Segundo a secretária de turismo do Município, Taís Margarido, mais de 200 empresas do segmento estão sediadas em Guarujá. A estimativa é de que mais de mil empregos sejam gerados nessa atividade.

“Guarujá tem uma grande variedade de garagens náuticas e de marinas. É a cidade com o maior suporte na área náutica. Nós temos mecânicos especializados, lojas que vendem peças, marinheiros… Tudo isso gera emprego e renda. Mas a gente sentiu que a questão nunca foi tratada como fomento turístico. Os proprietários pegam os barcos nas marinas e vão para Paraty (RJ), Ilhabela e não ficam na nossa região”, explica a secretária.

Segundo ela, a partir desta constatação, a Administração Municipal procurou entender quais são os fatores que espantam os turistas e os apaixonados pelo mar. Donos de marinas e de embarcações revelaram que a falta de infraestrutura e de segurança são os maiores entraves para o desenvolvimento do turismo náutico na Baixada Santista.

Por isso, deve ser iniciado um mapeamento dos pontos críticos de segurança, em áreas de rio e de mar na região. O trabalho será feito em parceria entre os secretários de turismo da Baixada Santista.

“Estão todos num único objetivo: criar segurança para a navegação, para que o turista possa usufruir da região metropolitana. Nós vivemos numa costa da Mata Atlântica riquíssima e pouco trabalhada”, destaca Taís.

O plano é que, no final deste mês, os secretários concluam esse mapeamento. Em seguida, o material será encaminhado à Secretaria Estadual de Turismo e, posteriormente, ao Governo do Estado.

A ideia é que sejam deslocados equipamentos, embarcações e até armamento para a patrulha do mar e de rios da região. Para driblar a falta de recursos, a secretária de Guarujá aposta em parcerias com a iniciativa privada.

Mercado náutico passou a ganhar espaço na Baixada (Foto: Luigi Bongiovanni/A Tribuna)

Potencial

Para o secretário de Turismo de Santos, Rafael Leal, é grande o potencial do turismo náuticos na região. Mas, segundo ele, o cenário econômico atual impede ações efetivas neste segmento.

“Com as limitações financeiras presentes no atual cenário nacional, Santos está voltada para atividades mais concretas e efetivas, que possam ser implementadas pela Administração a curto e médio prazos”.

De qualquer forma, Leal afirma que a Secretaria de Turismo encontra-se aberta para discutir propostas para alavancar o setor. “Sobretudo com os mais diferentes empreendedores interessados no segmento náutico”, garante o secretário.

Em São Vicente, o tema foi discutido no início deste ano, no 1º Fórum Náutico, que aconteceu no Baía de São Vicente Iate Clube. O evento reuniu representantes de marinas e trabalhadores da área. As questões giraram em torno dos problemas envolvendo segurança e meio ambiente.

“Cada vez mais, o setor náutico vem necessitando de mão de obra especializada. O turismo náutico traz turistas que movimentam a hotelaria, os restaurantes e o comércio local em geral”, destaca a Prefeitura de São Vicente, em nota.

Em Itanhaém, está em andamento a elaboração do Plano Diretor de Turismo e a formação de parcerias com a iniciativa privada. O objetivo é regulamentar, apoiar, fiscalizar e desenvolver o turismo náutico.

“Um dos obstáculos a serem superados é a inserção dos atrativos da Cidade como um destino turístico náutico nacional. Para isso, é importante atrair empresas interessadas em explorar as atividades interligadas a esse setor”, explica a Administração do Município.

A estimativa da Prefeitura é que a atividade gere mais de mil empregos (Foto: Rogério Soares/A Tribuna)

Atrações até nos rios

O potencial do turismo náutico na Baixada Santista vai muito além das belas praias. A região também conta com rios que permitem a navegação à beira da Mata Atlântica e grandes descobertas para visitantes e moradores dos municípios.

A Prefeitura de Itanhaém reconhece o turismo náutico como uma alternativa promissora no litoral. Na Cidade, além de oito marinas, há a estação costeira, em funcionamento para o atendimento de comunicações de barcos em alto-mar, além das Ilhas Queimada Pequena e Queimada Grande.

“A 22 km de distância da costa, a Ilha Queimada Pequena e Laje da Noite Escura são duas formações rochosas, tendo entre elas um canal de cerca de dez metros de largura por oito de profundidade. Ao redor da Laje, a profundidade é de cerca de 11 metros”, explica a Prefeitura de Itanhaém.

Além disso, no encontro das águas escuras do Rio Preto com as águas cristalinas do Rio Branco, forma-se o Rio Itanhaém em uma região conhecida como Amazônia Paulista. Para a Prefeitura, esta é uma oportunidade para incentivar a atividade.

A diretora de Turismo de Mongaguá, Vera Jardim, destaca que a geografia da Cidade dificulta a implantação de marinas, pois toda a extensão da praia é banhada por mar aberto, tornando a água muito agitada. “Não possuímos nenhum recuo natural que viabilize a promoção de turismo náutico”.

De acordo com o secretário de Turismo de Santos, Rafael Leal, a região reúne condições geográficas para o turismo náutico. Na Ponta da Praia, saem passeios para diversos roteiros na baía de Santos. Eles acontecem até a Ilha das Palmas e pelo canal do Estuário, até o armazém 39.

“Além desses tradicionais passeios, as catraias também integram o sistema, realizando, além do transporte de passageiros para Vicente de Carvalho, roteiros para Ilha Diana, mediante acerto prévio quanto ao deslocamento”, explica Leal.

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