Deputados federais da Baixada Santista não se reelegeram

Deputados federais da Baixada Santista terminam de fora da Câmara em 2019.

Pela primeira vez desde 2006, parlamentares da região falham em obter novo mandato.

Os deputados federais ligados à Baixada Santista não conseguiram se reeleger. Naquela ocasião, Vicente Cascione (PTB), Telma de Souza e Mariângela Duarte (ambas do PT) falharam nessa missão. Há 12 anos, um fator que pesou foi o desgaste do Governo Lula com o escândalo do Mensalão, pois os três faziam parte da base aliada.

Neste ano, a proximidade com o presidente Michel Temer (MDB), o posicionamento em votações polêmicas e a onda bolsonarista pelo País contribuíram, segundo analistas, para justificar o fato de João Paulo Papa (PSDB), Beto Mansur (MDB) e Marcelo Squassoni (PRB) ficarem de fora.

A cientista política e professora na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Jacqueline Quaresemin, crê que o posicionamento favorável à reforma trabalhista pode ter influenciado a queda de votos para eles, pois Santos é uma cidade com grande concentração de sindicatos e o tema foi muito discutido pelos presidenciáveis.

“O Governo Temer, além de ter levado a pecha de golpista, adotou várias medidas impopulares. Algumas siglas ficaram mal perante o povo, como o MDB e o PSDB”, justificou.

Ela citou outra possível influência: a crise da democracia representativa no mundo. “As pessoas não compreendem que os políticos estejam defendendo os interesses do povo.

O discurso da desqualificação da política representou um terreno fértil para o surgimento de figuras novas”, disse

Para o doutorando e mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), Rafael Moreira Dardaque Mucinhato, Mansur, Papa e Squassoni não tiveram uma atuação de destaque e se distanciaram de sua base eleitoral.

O analista citou, ainda, que Mansur ficou com a imagem muito desgastada por sua proximidade com o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB-RJ), que está preso, e com o atual presidente.

“Em relação aos nomes eleitos, o Júnior Bozzella (PSL) soube surfar nessa onda do antipetista e do bolsonarismo, ocupando um terreno que era do PSDB. Rosana Valle (PSB) tinha uma grande visibilidade por trabalhar 25 anos na televisão. Os jornalistas começam a ter grande visibilidade na política”, destacou.

Votos para fora

Segundo o cientista político Marcelo Di Giuseppe, do Instituto Brasileiro de Estudos Sociais, Política e Estatística (Ibespe), os eleitores da Baixada Santista, mais uma vez, não fizeram a lição de casa e votaram em muitos nomes de outras regiões do Estado.

“A gente continua sendo representado porque alguns nomes foram puxados pela boa votação obtida por outros nomes. A gente sabe que isso é do jogo, mas, sinceramente, fico muito preocupado com essa situação. A visibilidade pesou muito nos resultados”, afirmou o especialista

Fonte: Internet e A Tribuna

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