Projeto em Guarujá arrecada remédios para doar a quem precisa

Rede do bem: projeto em Guarujá arrecada remédios para doar a quem precisa.

Em menos de dois anos, segundo voluntários, mais de 5.500 medicamentos foram doados gratuitamente.

A primeira filha de Maria Sonia Izabel de Jesus Santos morreu em 2013, ainda bebê, por conta do que a mãe descreve como um erro médico. Anos depois, a gravidez da segunda menina trouxe alento e alegria, mas quis a vida que isso durasse pouco. A segunda filha de Sonia morreu por conta das complicações de uma patologia rara. 

Acometida pela doença de Tay-Sachs, que destrói células do cérebro e a medula espinhal, a menina virou estrela, como diz a mãe, aos 2 anos e meio. Por conta de tudo isso, Sonia mergulhou em uma depressão severa. “Não foi fácil sair”, admite. “Ainda estou me redescobrindo”. Contudo, ela consegue lembrar o momento em que virou a mesa e respondeu às dores que recebeu da vida com doações e carinho, graças a um projeto do Instituto Brasileiro de Alternativa para Saúde e Meio Ambiente (Ibraas), em Guarujá.

Além das bonecas e roupas da filha que perdeu, Sonia tinha diversas caixas de medicamentos da menina que, a partir daquele momento, não tinham mais utilidade. Pelo menos para ela. Foi quando soube do projeto Remédios do Bem, que recebe doações de medicamentos.

Passando de mão

Desde março de 2017, a ideia do projeto é arrecadar medicamentos que as pessoas deixaram de usar. Seja porque houve necessidade de mudança do remédio ou porque o tratamento já foi concluído. Tudo o que é recebido, passa por um rigoroso procedimento realizado por um farmacêutico e, se liberado por ele, fica à disposição para que outras pessoas que tenham necessidade, o cadastro prévio e receita médica possam retirá-los gratuitamente.

“Foi importante eu conseguir doar. Inclusive trouxe algumas bonecas, porque o Instituto tem outras ações. Mas vir aqui trazer os remédios foi o início também de um tempo de redescobrir um novo caminho com o voluntariado”, explica Sonia, que ajuda como voluntária no local.

Na verdade, o Remédios do Bem é uma das ações que integram uma rede maior de atividades. Segundo Carlos Antônio Maria Martes, diretor financeiro do Instituto, o local conta com atendimento de advocacia, fisioterapia, acupuntura e de um clínico geral. Os profissionais atuam como voluntários e, para a população, o atendimento é gratuito. Quem pode, no entanto, doa alimento, que depois é distribuído a famílias carentes.

Trabalho se baseia no amor dos voluntários (Foto: Vanessa Rodrigues)

No lixo

Beth Martes, vice-presidente da instituição, explica que além de ajudar quem precisa dos medicamentos e não pode comprar ou tem dificuldades de consegui-los na rede pública, o Remédios do Bem colabora com o meio ambiente. Isso porque, dá a destinação correta aos produtos, sem contaminar o solo ou as águas com a química das drogas.

“Eu comecei a fazer fisioterapia e acupuntura e soube do recolhimento dos remédios. Como eu não tinha informação, muitas vezes, o medicamento que vencia ou eu não usava mais, jogava no lixo”, conta Dirce Carneiro.

O mesmo aconteceu com Teresa Cristina Félix, que também chegou ao Ibraas para a fisioterapia e encontrou ali um ponto de doação dos seus remédios. E mais, ela já precisou de medicamento e conseguiu.

No caso de Vera Lúcia de Souza Gomes, a situação era mais complicada. “Minha filha estava em uma depressão forte e eu em uma situação financeira muito difícil. Eu não tinha dinheiro para comprar a medicação e eu não consegui de graça. Quer dizer, minha filha estava sem o remédio”. Mas foi no projeto do Ibraas, que Vera garantiu o remédio da filha que, hoje, já está melhor.

Passou mal

Maria da Graça Cardoso conta que vai ao projeto todo o mês. Com problemas cardíacos e medicação contínua, ela explica que os remédios mais caros não cabem no seu orçamento de aposentada. “Antes, eu cheguei a ficar sem medicação e passei mal porque na farmácia da Prefeitura não tinha”.

Beth afirma que o projeto não consegue garantir a medicação todo mês ao paciente. Mas eles fazem o possível para conseguir e avisar aos pacientes que esperam os remédios, assim que eles chegam.

De março do ano passado a março deste ano, diz Carlos, foram doadas 5.522 caixas de medicamentos gratuitamente. Outras 1.972 caixas, que não puderam ser doadas, foram descartadas de forma correta.

Projeto ‘Remédios do Bem’ existe desde março de 2017 (Foto: Vanessa Rodrigues)

Remédios do bem

O projeto arrecada medicamentos que as pessoas deixaram de usar. Tudo o que é recebido e passa por um rigoroso procedimento de análise realizado por um farmacêutico. Se liberado, fica à disposição para outras pessoas que tenham necessidade e uma receita médica possam retirá-los gratuitamente. Os remédios vencidos ou que, por algum motivo não podem ser doados, tem a destinação correta, preservando o meio ambiente.

Para conseguir retirar a medicação é preciso fazer um cadastro prévio e ter a receita do medicamento. O projeto funciona na Rua Buenos Aires, 470, Vila Maia, Guarujá.

Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3387-2135 ou pelo 98835-2957 (WhatsApp). 

Fonte: Internet e A Tribuna

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